terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Aumentos nos restaurantes? Para já, não.

Aumentos nos restaurantes? Para já, não.

Na mais despercebida Calçada do Carmo, Eduardo Martins, dono do café e restaurante Painel da Baixa, já subiu hoje o preço do café de 0,55 para 0,60 cêntimos, assim como o do galão. "No resto não mexi. Os almoços estão ao mesmo preço. Fiz apenas pequenas mudanças. Não quero ser o primeiro. Já temos cada vez menos clientes, por isso espero que seja a concorrência a dar o primeiro passo."

Porto e Maia

Manhã cedo, numa confeitaria da Maia, o preço do pequeno-almoço de 2012 ainda sabe a 2011. Meia de leite e um pão com manteiga continuam a custar os mesmos 1,35 euros. Não há aumento? "Para já não, vamos ver até ao final do mês se conseguimos absorver os custos. Se for possível, não aumentamos", explica o proprietário.

No Porto, o cenário repete-se. Ou não. Na Praça Guilherme Gomes Fernandes, o café Pingo de Cimbalino está ao lado da Leitaria da Quinta do Paço, mas reflectem realidades diferentes. Na segunda, uma funcionária diz que não sabe se haverá aumento de preços, a reflectir a passagem do IVA de 13% para 23%. "Hoje, pelo menos, os preços mantêm-se", diz. No Pingo de Cimbalino os aumentos já entraram em vigor. O café passou dos 60 para os 65 cêntimos e os pratos do dia, que eram a 4 euros passaram para os 4,5. "Só aumentamos mesmo por causa do IVA, senão não haveria aumento", explica a funcionária Maria José. Até porque, diz, os clientes queixam-se. "Já começaram a dizer que está tudo muito mais caro", lamenta-se.

O mesmo acontece no café Progresso, na Rua do Actor João Guedes. Um dos funcionários da casa diz que "antes de pedir seja o que for, as pessoas perguntam se houve aumento", e a resposta é, sim. Os preços no conhecido café portuense subiram 10%, para acomodar o novo peso do IVA. Os pratos do dia subiram de 4,50 para os 4,90 euros e o café passou dos 65 para os 70 cêntimos. Os clientes, por enquanto, têm reagido bem, garante. "O nosso povo reage sempre bem a tudo, esse é que é o grande problema", diz André, em jeito de desabafo.

Opção diferente parecem ter tomado, por enquanto, os proprietários de outro café histórico do Porto, o Luso, na Praça de Carlos Alberto. Ontem, sem os proprietários no estabelecimento, um funcionário ouvido pelo PÚBLICO não quis entrar em grandes explicações, mas lá disse que hoje os preços são iguais aos de 2011. "Ainda não houve aumentos", diz.

Na Rua da Picaria, o restaurante Ernesto também mantém os mesmos preços do ano passado. Reinaldo Pereira, proprietário do espaço, garante que haverá alguns ajustes, mas que os preços praticados durante a semana não vão sofrer alterações, pelo menos durante o mês de Janeiro. "Vou fazer um estudo durante este mês em termos contabilísticos e de movimento. Temos de pensar no cliente, eu aumentava os preços se os meus clientes tivessem dinheiro, mas não têm, por isso um aumento seria apenas esbarrar contra a parede", diz. Ainda assim nem tudo ficará igual neste restaurante portuense. Os clientes de fim-de-semana deverão encontrar preços ligeiramente mais elevados. "Ao fim-de-semana vem outro tipo de clientes, que não se importa de pagar mais cinco euros se for preciso", explica.

citado de:
http://fugas.publico.pt/Noticias/298653_aumentos-nos-restaurantes-para-ja-nao?pagina=2

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Luís Diogo
buffetleiria@gmail.com
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